Cientistas em saldos
Li este texto de opinião no Público, e entretanto voltei a cruzar-me com ele online: Cientistas em saldos. O texto versa a problemática da remuneração e dos direitos dos investigadores científicios em Portugal.
Convém, porém, polir algumas arestas. Existe uma passagem sobre os tipos de bolsa que está cheia de imprecisões:
Os bolseiros podem-se distinguir segundo o tipo de bolsa que têm. Os BIC (Bolsa de Investigação Científica) são licenciados e, independentemente da sua experiência ou competências, ganham 745 euros.
“BIC” são as “Bolsas de iniciação científica”. Com as mexidas de Bolonha, esta bolsa passou a destinar-se “preferencialmente a estudantes do ensino superior, com um mínimo de 3 anos de formação (1º ciclo completo ou equivalente)” — i.e., licenciados — “para obterem formação científica integrados em projectos de investigação a desenvolver em instituições nacionais.” Estas bolsas valem 385 euros.
Depois vêm as “BI” (“Bolsas de Investigação”), essas sim de 745 euros. Oficialmente, “destinam-se a bacharéis, licenciados ou mestres para obterem formação científica em projectos de investigação ou em instituições científicas e tecnológicas no País.” Claro que depois tudo depende do edital; passo a explicar. Independentemente do que citei, o que conta é o edital de abertura do concurso para cada bolsa em particular; se nesse edital forem especificamente pedidos candidatos com mestrado, só estes podem concorrer — e aí sim, “independentemente da sua experiência ou competências”, ganham os mesmos 745 euros que um bacharel ou licenciado que obtenha uma outra bolsa do mesmo tipo.
Tirando este deslize (perdoável em algo, efectivamente, difícil de perceber a 100%), o texto está bom e recomenda-se a todos (principalmente os que “estão bem é na caminha” e afins).
