Domingo, 31.08.08

Dois dias no Alto Alentejo

Como eu bem tinha anunciado, o próximo e último destino destas férias foi Arraiolos (em particular, a Pousada de Nª Srª da Assunção). E à boleia do geocaching, também Montemor-o-Novo, e alguns locais circundantes — alguns dos quais, literalmente, não vêm no mapa. Foram 2 dias a dois que valeram bem a pena; eu a Cat, quando estamos juntos, não precisamos de passar 15 dias no “fica-sempre-bem-dizer-que-se-vai-para-lá-não-sei-bem-porquê” Algarve para descomprimirmos, passearmos e, em suma, passarmos um belo tempo juntos.

5.ª feira

Saímos 5.ª feira de manhãzinha (7h30), a lá fomos. Ponte 25 de Abril, A2, A6, EN4. O plano de viagem era irmos directos a Santana do Campo (ligeiramente a Norte de Arraiolos) fazer uma cache, irmos para Arraiolos, deixar o carro na pousada, e irmos à vila fazer outra cache, almoçar, e ver as vistas. A zona de Montemor-o-Novo e respectivas caches ao longo da EN4 ficariam para o caminho da volta, na 6.ª feira.

Mas íamos muito bem na EN4 e vimos a placa a indicar a Barragem dos Minutos — um nome que fazia parte dos nossos planos de geocaching para 6.ª feira. Em poucos segundos e mesmo antes da placa, decidimos começar por aqui. E que bem que fizémos: sem o sabermos, esperava-nos uma caminhada de 3km até à cache (e respectiva volta, mais 3 km), que não se faria tão bem se não fossem pouco antes das 9h.

Barragem dos Minutos, Montemor-o-Novo     Barragem dos Minutos
Barragem dos Minutos, Montemor-o-Novo

Seguimos então, daqui, os nossos planos iniciais (mas já com uma cache feita). Enveredámos por uma terra de seu nome São Pedro da Gafanhoeira, para irmos dar a um local de megálitos dos quais se destaca a Pedra das Gamelas. E vão duas caches.



Megálito perto da Pedra das Gamelas, Santana do Campo

Megálito perto da Pedra das Gamelas, Santana do Campo

Igreja de Santana do Campo, Arraiolos
Igreja de Santana do Campo, Arraiolos

Tomámos o caminho para Arraiolos já por dentro de Santana do Campo, e então sim, chegámos à pousada. Como ainda era cedo para se poder fazer o check-in, deixámos apenas o carro no estacionamento e fomos a pé até Arraiolos. Chegámos um bocado estafados ao Castelo de Arraiolos — eram uns meros 2km, mas com alguns 7km já andados, o sol no alto, e a fome a apertar

Pousada de Nª Srª da Assunção, Arraiolos
Pousada de Nª Srª da Assunção, Arraiolos


Castelo de Arraiolos

 

Feita a cache do Castelo de Arraiolos (cujo desleixo com que está conservado nos chocou um bocado), fomos à procura de um sítio para comer — difícil, estava quase tudo fechado. Íamos seguindo as placas que indicavam "Restaurante" aqui e ali, até que encontrámos um nome familiar: Frango Vaidoso! Tínhamos visto isto na Net antes de irmos, e achámos um piadão ao nome (passámos dias sempre a gozar com o nome). E não é que foi o que nos salvou?! Comemos bem em conta, umas óptimas mistas de porco preto com migas de espinafres, e provei uma sobremesa tipicamente alentejana: a sericaia.

Um bocado desolados com o quão parada a vila é (ou estava), fomos andando até à pousada, para nos prepararmos para passar um bocado da tarde na piscina. À noite, a procura por um sítio diferente para jantar revelou-se infrutífera: só encontrámos um restaurante típico estupidamente caro (por um bocadinho quase que compensava jantar na pousada...), e acabámos por voltar ao Frango Vaidoso — onde, desta feita, provámos o vaidoso, que também estava bom e recomenda-se.

6.ª feira

No segundo dia, já fomos menos madrugadores — talvez porque a vontade de ir embora era perto de nula. A pousada é espectacular, excelente serviço, infraestruturas, conforto do quarto, tudo. E continuou a surpreender-nos ao pequeno-almoço: um buffet com coisas desde pão, queijo ou fiambre, passando por leite quente e frio, e café, até ovos mexidos, carnes e chouriços.

Feito o check-out, rumámos a Montemor-o-Novo, para começar a nossa segunda jornada de caches. Faltavam-nos 4 das 7 caches que tínhamos planeado, e logo a caminho da primeira o desafio tornou-se mais difícil: acabou-se a bateria de um dos GPS, e ficámos reduzidos àquele que oferecia menos facilidades de orientação em estrada. Mas mesmo assim safámo-nos muito bem.

Em Montemor-o-Novo propriamente dito, visitámos a Ermida de Nª Srª da Visitação e o Castelo de Montemor-o-Novo, para fazer as respectivas caches. Ambos os sítios têm uma vista espectacular sobre a vila (e um sobre o outro!), e o castelo é bastante mais interessante e bem conservado que o de Arraiolos. Tem inclusive igrejas lá dentro, que eram as das freguesias que, outrora, se encontravam sediadas dentro dos seus muros.

Escadas da Ermida de Nª Srª da Visitação
Escadas da Ermida de Nª Srª da Visitação


Castelo de Montemor-o-Novo

Daqui seguimos ao longo da EN4, parando para fazer caches em dois sítios que, definitivamente, não vêm no mapa: a Ermida de Santo Aleixo (as ruínas de uma pequena igreja) e um açude perto das Silveiras — os links são para mapas satélite com cada um dos locais assinalado, e com o zoom certo para permitir usar a EN4 para se ver por onde raio nos andámos a meter. Podem ver uma foto espectacular da ermida, pela Cat, aqui.

Daqui seguimos então por mais um bocado da EN4 para não ser sempre autoestrada, e chegámos sem problemas (excepto o trânsito da ponte, e o facto de este último e óptimo reduto de férias ter acabado).

música: Muse - Time is Running Out (que adequada...)
Piolho Sintético às 16:55 | link do post | comentar | ver comentários (4)
Sexta-feira, 22.08.08

The Day That Never Comes

Saiu hoje (e já tinha ouvido ontem na Antena 3) o novo single dos Metallica, “The Day That Never Comes”. É das minhas bandas preferidas, e sou daquele grupo de fãs que gosta mesmo é de coisas do “Black Album” para trás — também dos que ficaram chocados com a qualidade/sonoridade do último álbum.

O novo álbum (que entretanto se revelou vir a chamar-se “Death Magnetic”) já vinha há muito anunciado como um regresso às origens e, claro está, estava expectante disso.

Ontem quando ouvi na rádio que iam estrear a música, não descansei enquanto não ouvi. Lá a ouvi (e já a ouvi de novo há bocadinho, quando vinha no carro), e não fiquei com a melhor das impressões. Realmente, eles mostram que voltaram ao estilo de antigamente... mas escusavam de espetar com os estilos quase todas as fases de Metallica numa só música! Pode ser um caso de “primeiro estranha-se, depois entranha-se”, mas o raio da música parece um medley (e muito duvidoso, em alguns momentos).

Começa com uma introdução ao estilo “Fade to Black” (1983), que a dada altura parece que “tropeça” duma melodia para a outra (estão a ver quando vão a ouvir um CD dentro dum carro com um auto-rádio manhoso, e passam por cima duma lomba?). Depois tem uma parte instrumental reminescente da “Bleeding Me” (1997), passa para um solo com uma (já anunciada há uns meses) sonoridade oriental com um cheiro a “And Justice for All“ (o álbum, 1988), depois um instrumental à “Master of Puppets” (a música, 1986), e depois um solo que parece passar pelos estilos dos solos de não-sei-quantas músicas do “Master of Puppets” (o álbum).

Ouvirei com mais atenção — até porque há algumas semanas que fiz a pré-encomenda do álbum — mas, como em tanto na vida, a primeira impressão conta muito. E esta não foi lá grande coisa...

sinto-me: com uma certa larica...
Piolho Sintético às 20:18 | link do post | comentar | ver comentários (4)
Terça-feira, 19.08.08

E o próximo destino destas férias é...

...Arraiolos! Mas só para a semana que vem... *sigh*

Pousada de Arraiolos
Pousada de Arraiolos

Castelo de Arraiolos
Castelo de Arraiolos

Fotos: CC by-nc-sa 2004 Ivo Gomes

sinto-me: ansioso
Piolho Sintético às 21:33 | link do post | comentar | ver comentários (2)
Quinta-feira, 14.08.08

Aeminium


Rua da Couraça de Lisboa, Coimbra

E pronto, eis-me de volta. Coimbra lá ficou, e agora fica aquela pequena nostalgia destes dias muito bem passados com a Cat a laurear a pevide. Antes de ir, disse que, em relação à minha ida em família a Coimbra o ano passado, esta ida teria 2 atractivos extra: a Cat e o geocaching. Pois afinal eram, e foram, 3 atractivos extra, pois o geocaching é uma excelente desculpa para visitar sítios que, de outra forma, éramos capaz de dizer "heit, deixa 'tar". Visitámos praticamente tudo o que eu já conhecia do ano passado, e muito mais.

Sendo que o dia de chegada (2.ª feira) e o de partida (hoje, 5.ª feira) foram basicamente ocupados com os respectivos processos de instalação e debandada do local, o sumo dos passeios a contar está na 3.ª e 4.ª feira.


Ponte pedonal Pedro e Inês

3.ª feira, ronha de manhã (como sabe bem...). De tarde, tivémos uma carrinha por nossa conta (mas também não fizémos dela propriamente um cachemobile, embora tenha ajudado). Estacionámo-la ao pé da ponte pedonal Pedro e Inês, e fomos fazer uma cache lá perto. Depois atravessámos a Pedro e Inês e fomos a pé até Santa Clara a Velha tentar uma cache que, soubemos depois, tinha desaparecido. Depois fomos comprar algumas mercearias, e pelo caminho passámos pelo miradouro do Vale do Inferno a obter as coordenadas de outra cache.


Torre da Universidade de Coimbra (“Cabra”)

No dia seguinte, começámos mais cedo, e foi o dia em que mais andámos a pé (desta vez não tivémos carrinha por nossa conta, só boleia até à cidade). Ficámos ao pé do Portugal dos Pequenitos, fomos até ao Museu Militar, tentámos uma cache, descemos, atravessámos a ponte de Santa Clara, subimos até a Universidade onde fizemos a respectiva cache. Daí, fomos tentar a dos Arcos do Jardim. Não conseguimos, mas não desistimos, e fomos fazer com sucesso a do Jardim da Sereia e a do Penedo da Saudade (tendo, pelo meio, almoçado umas tostas na Casa Abílio, como agradecimento prometido pelas indicações dadas por uma simpática sr.ª funcionária ).


Lápide (e outro ícone estudantil) no Penedo da Saudade

Para acabar o dia em beleza, voltámos do Penedo da Saudade, pelo Jardim Botânico, pelos Arcos do Jardim, pela Universidade, atravessámos a Ponte de Santa Clara e... fomos até ao Fórum a pé!


Ponte Rainha Santa, vista da Rua da Couraça de Lisboa

Conseguimos fazer, então, 4 caches (das 7 que existem e estão, à partida, activas), mais do que as que já tínhamos feito — se o pessoal se tivesse lembrado de pôr as mais recentes caches nas Berlengas mais cedo, a coisa já piava de outra forma...


Residência universitária, na Rua da Alegria

Pena ter passado tudo tão depressa...

sinto-me: missing...
Piolho Sintético às 23:07 | link do post | comentar | ver comentários (3)
Domingo, 10.08.08

É já amanhã! :-)

Um ano e uns dias depois, volto a Coimbra. Desta vez, com dois atractivos extra: vou com a minha querida namorada Cat (que, aquando da última ida, nem conhecia), e vamos fazer geocaching. Sítios como este:

Santa Clara a Velha

ou este:

Ponte pedonal Pedro e Inês

irão ser visitados com outros olhos, com outro espírito. Mesmo em jeito de passeio, com caça ao tesouro e muito amor à mistura.

Até Quinta-feira, gente!

sinto-me: ansioso
Piolho Sintético às 20:15 | link do post | comentar
Sábado, 09.08.08

“By Air Maill” [sic]

Segunda-feira de manhã, antes de ir para Coimbra, tenho de ir aos CTT levantar uma encomenda. Vieram hoje cá entregar e, aparentemente, não atendi (não ouvi campaínha nenhuma, mas isso já é habitual — ainda não sei é por qual das razões), e deixaram aviso.

De quem é a encomenda? Não sei. Faço ideia, porque tenho 2 ou 3 sitios de onde espero coisas, mas não sei ao certo. Ora vejam lá a informação útil que o/a carteiro/* achou por bem colocar onde costumam aparecer nomes tão sonantes como "Finanças", "Montepio Geral" ou "Aristides Aires Unipessoal":

CTT - Encomenda oriunda de "By Air Maill"

E o número do volume (o GP...PT), segundo o site dos CTT, nem sequer existe, por isso nem sei de que ponto do planeta vem o que quer que seja. Será uma t-shirt vinda do lado de lá da América do Norte? Será algo ultra-secreto que espero do Reino Unido? Será que um certo habitante da “Cidade do Lis” enviou um almejado tesouro de algum magnífico paraíso além-fronteiras? Não sei.

Tanto quanto sei, até pode ser um convite para café do presidente do Burundi, ou uma bomba do Osama bin Laden. Mas veio, definivamente, “by air maill” [sic].

 

( * - Como se chama uma senhora/rapariga que entrega correio? Carteira? )

 

EDIT: Afinal já existe no site dos CTT. Mas também só diz que chegou às 18h30 à estação de Correios daqui do burgo, o que não adianta muito.

sinto-me: a 2½ dias de Coimbra
Piolho Sintético às 00:27 | link do post | comentar | ver comentários (6)
Quinta-feira, 07.08.08

Coffee and WWW

Uma pessoa muito sábia () diz que o estudo embrutece as pessoas. Eu (que não sou a referida pessoa sábia) concordo, e acrescento ainda que aliena as pessoas do mundo que os rodeia.

Só assim consigo justificar o facto de me ter passado ao lado que, há mais de um mês, esteja de volta ao activo o Cafeína. Segundo consta no mesmo, “entre Agosto de 2000 e o seu encerramento em Julho de 2005 o Cafeína foi um dos mais populares weblogs portugueses”; eu tomaria a liberdade de reescrever como algo do tipo “o Cafeína, um dos mais populares weblogs portugueses, está de volta, depois de 3 anos de encerramento”.

É um histórico, e das minhas primeiras influências na blogosfera — sim, que este Piolho só tem uns meses, mas o JC já bloga há uns anitos.

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Piolho Sintético às 22:59 | link do post | comentar | ver comentários (3)
Sexta-feira, 01.08.08

Cinemas Lusomundo e o Gervásio

Na Terça-feira, eu a a Cat fomos ver o The Dark Knight (já que se fala disso: BRUTAL!), aos cinemas Lusomundo do Oeiras Parque. À saída, como já é habitual (pelo menos) nas últimas sessões, as senhoras da limpeza estão à espera quando os filmes acabam, de saco do lixo em punho (para o pessoal pôr o lixo nos sacos delas directamente).

Ora pois que eu trazia o copo das pipocas (com um restinho das ditas) e 3 garrafas de água. Como vocês sabem, os caixotes para lixo nos cinemas Lusomundo tem dois compartimentos: um grande para o lixo em geral, e um bastante mais estreito com a indicação "PLÁSTICOS"; o saco enorme que a senhora ostentava, tanto pelo tamanho como por lógica, faria as vezes do compartimento de lixo em geral, pelo que ia (depois de atirar o copo das pipocas para o saco) pôr as garrafas no contentor, no devido compartimento.

Ao ver que eu tinha ficado com as garrafas na mão e me começava a dirigir para o contentor uns metros à frente, a senhora informou: “Pode pôr aqui”. Eu: “Erm, não, isto é plástico”. A senhora:

“Não interessa, eles depois juntam tudo.”

Brilhante. Ao contrário do que muita gente pensa, o lixo dos ecopontos não é todo junto quando é recolhido, mas a Lusomundo inventa o seu próprio conceito de “separação de lixo”. Brilhantíssimo.

Ora resumindo: hoje em dia, pagamos um balúrdio por um bilhete de cinema (perdão: por um talão de acesso a uma sessão de cinema), que inclui a exibição de um bloco de trailers e publicidade (incluindo, imagine-se, anúncios de uma campanha da Sociedade Ponto Verde relacionada com embalagens), a uma firma tão “socialmente responsável” que, por um lado dá a instituições de caridade os objectos perdidos que fiquem por reclamar mais de 1 mês, mas por outro atira areia para os olhos dos seus clientes (e quem mais? se calhar até alguma autoridade de certificação) com uns caixotes aparentando uma espécie de responsabilidade ambiental — que não existe.

Ó senhores, é só entrarem numa das vossas sessões, gramarem com o “bloco de trailers e publicidade”, e aprenderem. O Gervásio conseguiu.

sinto-me: contestatário
Piolho Sintético às 00:01 | link do post | comentar | ver comentários (1)

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