Quinta-feira, 22.01.09

Overheard in Linha de Sintra

Já me esquecia de registar esta pérola (e amostra do espírito trabalhador que grassa em Portugal), ouvida anteontem à tarde no comboio da linha de Sintra:

Olha que eu amanhã só entro às 10h, não me piques o cartão às 8h!

Ora portanto, nos outros dias, quando é suposto a menina entrar às 8h e isso não acontece, a amiga pica o ponto. Espectáculo!

Ad lucem ≪ Celeritas luminis

Hoje de manhã, antes de vir para a faculdade, lembrei-me de passar na Reitoria, para ver se o meu diploma de licenciatura (pedido em Julho de 2007) estaria pronto. Depois de a senhora fotocopiar o meu BI e ir ver se estava pronto, lá me veio dizer que “não estava pronto, mas estava quase” — faltam os acabamentos: a fitinha e a caixa.

Trouxe com ela o diploma (o papel), e pediu-me então para verificar se estava tudo correcto. No meio daquele Latim todo, lá distingui o meu nome, o do meu pai, e o da minha mãe (felizmente, não traduzidos para Latim); portanto, a menos que, em latim, lá diga que eu tenho a 4.ª classe, o meu pai foi guarda-costas do Ramalho Eanes, e a minha mãe assaltou 5 dependências do BNU nos anos 90, então está tudo bem.

Distingui ainda, no fim, uma data (em Latim e por extenso, claro, e se calhar nem é por acaso): Fevereiro de 2008. Ora se eu acabei a licenciatura e pedi o diploma em Julho de 2007, aquela data só pode ser da emissão daquele diploma. Sendo que (deixei este detalhe para o fim) a senhora me dizer que o diploma (com os acabamentos) estará pronto “lá para Fevereiro”, resta-me fazer as contas e constatar:

  • 7 meses para emitir uma folha com 3 nomes e uma data do meio de muito texto em Latim (que será, mais coisa menos coisa, sempre o mesmo), e
  • 1 ano para juntar uma fita com o selo da Universidade ao diploma e pô-lo numa caixa.

Claramente, a adopção do motto "Ad lucem" ("para a luz") não tem nada a ver com o factor “velocidade”...

Quinta-feira, 15.01.09

Post à Pedro Aniceto...

...embora a "imitação" não supere, de todo, o original caçador de pérolas.

Já para não falar que, mais do que ninguém, deviam saber que aquelas duas letras meio perdidas, numa raspadinha com prémio, são sempre iguais (com os círculos não dá para ver uma delas, mas é um A — e a outra é um C).

Piolho Sintético às 14:29 | link do post | comentar
Segunda-feira, 12.01.09

Onde é que deixaste a nave, meu?

No Jogo Duplo, um homem acaba de dizer que não acredita na história de uma outra concorrente (que diz ter duas licenciaturas — uma em Psicologia da Educação e outra em Educação de Infância — e ser educadora de infância) porque, and I quote, “ela tem muitos cursos superiores, mas anda a limpar o rabo a meninos”. Por acaso a história da moça até era ficcionada, mas o senhor também vive num mundo um bocado irreal...

Eternidade e um palito

Hoje, no comboio, vinha a dar conta da minha leitura actual (Hard-boiled Wonderland and the End of the World, de Haruki Murakami), e, depois de um plot twist que me deixou de queixo à banda (e me iluminou sobre a verdadeira ligação entre as duas histórias do livro), deparo-me com um puzzle teórico bastante interessante:

Como se consegue gravar uma enciclopédia inteira... num palito?

Sim, leram bem: num palito. Ora a coisa tem uns certos contornos matemáticos, mas é capaz de ser fácil de seguir o suficiente. A ideia é transformar o texto em números; cada letra (dígito, símbolo, espaços, etc.) é transformada num número de dois dígitos, por exemplo:

  • 0 → 00
  • 1 → 01
  • 2 → 02, etc.
  • espaço → 10
  • A → 11
  • B → 12, etc.
  • Z → 36
  • ponto → 37, etc., etc.

Se quisermos, por exemplo, escrever "AMOR.", ficamos com 1123252837. A este número, juntamos um zero e uma vírgula (ou um ponto decimal, conforme a nacionalidade e o gosto de cada um ), ficando com algo como: 0,1123252837. A ideia agora (e relembro que este é um puzzle teórico) é cravar uma marca no palito, a uma distância correspondente a respectiva fracção do comprimento do palito (por exemplo, se tivéssemos ficado com 0,25 a marca seria feita a um quarto do comprimento do palito de distância de uma das extermidades — que seria considerada “o zero”).

Desta forma, independentemente do comprimento do palito, dada precisão suficiente, é possível escrever infinitos registos de comprimento infinito.

No livro, este puzzle teórico de cariz extremamente matemático é utilizado como metáfora para a vida, transmitindo a ideia de que infinitude não é uma questão de tamanho, mas sim de precisão. Que a nossa experiência pessoal de eternidade não passa por viver mais tempo, mas por tirar o máximo de partido de cada momento.

Pode talvez parecer desinteressante para uma boa parte de quem ler, especialmente pelo embrulho matemático da coisa (essa ciência tão pouco popular), mas é uma excelente lição das duas coisas: de matemática, e de vida.

Piolho Sintético às 19:44 | link do post | comentar
Terça-feira, 06.01.09

The Fratellis - Henrietta

Andava há que tempos a tentar descobrir a identidade duma música que oiço constantemente em anúncios da FOX. Hoje descobri: é “Henrietta”, dos The Fratellis. E descobri também que a minha busca à base da letra (lyrics) estava a ser dificultada pelo facto de a música que aparece nos anúncios ser, na realidade, uma montagem de dois segmentos da música. Aqui fica uma interpretação da música, ao vivo nesse programa que passo a vida a pensar para mim mesmo “porque não temos uma merda destas cá?” — o “Later... with Jools Holland”.

Piolho Sintético às 09:57 | link do post | comentar

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