Nunca andei muito de autocarro em Lisboa, sempre me deu mais jeito o comboio e o metro. Hoje foi uma das raras vezes que o fiz: para ir ver a exposição “A Evolução de Darwin” na Gulbenkian, calhou mais a jeito ir no 746 da Carris. Além de nabices como comprar bilhete (para mais tarde me lembrar que tinha dinheiro no Lisboa Viva para usar o Zapping) e de usar, pela primeira vez, o sistema de informação por SMS (tendo o autocarro aparecido no segundo a seguir a enviar a SMS, pelo que gastei €0,30 para receber uma mensagem a dizer que tinha autocarro daí a 0, 16 e 32 minutos), pude observar maravilhas que não se vêem debaixo do chão.
É o caso dos graffitis (não dos artísticos, mas sim dos de pura destruição e poluição visual) na Estrada de Benfica. Além de sabedoria preciosíssima como "o ar condicionado mata as pessoas" e "Santana Lopes é nasseiquê", há que louvar o trabalho deste artista do spray preto: escreveu a palavra "MERDA", por várias vezes, ao longo de praticamente toda a Estrada de Benfica — ainda são uns 2 ou 3 km. Num dos sítios, reparei eu, o artista aparenta não ter ficado contente com a sua própria obra: temos a palavra "MERDA" com um "X" por cima (consigo imaginar o artista a dizer: "eh pá, esta ficou uma merda!"), e logo por baixo de novo "MERDA" (a obra final que contentou o seu criador).
É muita arte e filosofia para uma só viagem de autocarro. Vendo bem, acho que os bilhetes são baratos. ;)