Eu e o acordo ortográfico
Hoje, depois de ir tomando contacto com alguns trechos dos seus efeitos, pela primeira vez, li uma descrição concisa de alterações "impostas" pelo novo acordo ortográfico. Apesar de achar hediondas algumas das alterações e, principalmente, as incoerências facilmente detectáveis, não sou contra o acordo ortográfico, nem a favor. Para que conste mais ou menos publicamente, a minha posição (de um ponto de vista prático, ou seja, conquanto influencia a forma como escrevo e irei escrever no futuro) é:
'Tou me pouco cagando.
Vou continuar a escrever o mesmo Português que escrevo há cerca de duas décadas. Se durante todo este tempo tive de ler pontapés horríveis na gramática e na ortografia, os quais sempre se entendeu "não ficar bem" estar a corrigir (porque se passa por pedante, ou porque "o que importa é que se perceba", ou porque apontar o dedo a doutorados que escrevem que as notas "saiem" para a semana e perguntam se já "escreves-te" o relatório é capaz de cair mal), estamos quites. Vou continuar a escrever, correctamente, no Portuguẽs que aprendi. Lerei e compreenderei os textos que se me apresentarem nessa nova metamorfose do Português, da mesma forma que consigo ler um texto em Português mal escrito, ou em Catalão. Mas desculpem lá, vão ter de tolerar o meu Português arcaico.
