Quarta-feira, 23.03.11

Da credibilidade dos protestos

Acampamento Universitário pela Acção Social – 24 de Março. “Traz a tua tenda!”, dizem eles.

Estou a par do problema que este protesto versa. Conheço as estatísticas de diminuição nos apoios concedidos, e de que a esmagadora maioria das bolsas (76% do universo de bolseiros) não chega para pagar uma propina máxima e comer sempre na cantina (cf. Deliberação do Senado da UL). Conheço de perto casos de extrema injustiça na atribuição de bolsas. Concordo com o manifesto do início ao fim.

Mas vejamos: eu não vivo da Acção Social, ganho uma bolsa de investigação minimamente jeitosa (cujo valor, ao contrário do custo de vida, não é actualizado desde 2002, mas ao menos também não foi diminuido), ainda não tenho uma renda para pagar, a entidade financiadora paga sempre a tempo e horas — e, no entanto, não tenho uma tenda, porra! Até podia ter, mas não seria coisa em que me ia lembrar de repente de gastar dinheiro. Como funciona então este tipo de raciocínio para quem, supostamente, está “supé' à rasca”, prestes a desistir da faculdade e viver da caridade alheia? A tenda mais barata que a Decathlon (que é, como todos nós sabemos, o patamar acima da loja dos chineses no que toca a produtos bons, bonitos e baratos) vende custa tanto quanto 11 almoços na cantina, e para lhe dar algum uso para além de acampar no relvado da Reitoria (porque é claro que quem está à rasca não se pode dar ao luxo de comprar uma tenda só para um dia) ainda tem de gastar-se algum dinheiro extra (aquele que, supostamente, não há).

Ao menos promoviam um acampamento com sacos-cama: são mais baratos, e como se passa mais frio sensibilizava melhor os destinatários da mensagem — que, para ajudar à festa, nem sequer é na Alameda da Universidade que se encontram, e sabe-se lá em que regime de funcionamento estarão depois do que se pode passar hoje no Parlamento...

Piolho Sintético às 13:14 | link do post | comentar | ver comentários (6)
Terça-feira, 22.03.11

Dos críticos de música a meterem água no Waters

Não houve espaço para "encores" [...]

Sapo Música / Lusa

Mas isto é algum concerto dos Pearl Jam, dos The Killers, ou o quê?! Se isto é uma exibição do "The Wall", é aquilo e só aquilo, não há cá "encores", ou "bis", ou "ó Elsa"s.


[...] durante a inescapável "Another Brick In The Wall Part 2", Waters "estreia" dois solos de guitarra [...]

Blitz / Lia Pereira

“Estreou” os mesmos solos que a música sempre teve na sua versão ao vivo...


[...] mandolin e concertina [...]

[...] a aparição surpresa de um guitarrista, no topo do muro, para o solo da muito esperada “Comfortably numb” [...]

[...] Rodrigo Meneses, o cidadão brasileiro morto pelo afã antiterrorista da polícia britânica [...]

Público / Mário Lopes

Coisas a tirar a limpo pelo autor:

  • A ortografia de "mandolim" e a diferença entre uma concertina e um acordeão (tremenda!).
  • Onde raio é que é surpresa aparecer um guitarrista no topo do muro a tocar o solo da Comfortably Numb? Não é surpresa desde, pelo menos, 1980.
  • Esta diferença:
    vs.

[...] a Big Mother passou a Big Brother [...]

Diário Digital / João Gonçalves

Oi? Não será ao contrário?...


Até o macaco Gervásio depois de ler meia dúzia de artigos na Wikipedia fazia melhor...

Segunda-feira, 21.03.11

The Wall

E cá vou eu para o Parque das Nações. Roger Waters, me aguarda!

Piolho Sintético às 18:54 | link do post | comentar
Sexta-feira, 18.03.11

Ufa!

Está tudo bem. Racionamento de comida e energia, transportes ferroviários e telecomunicações condicionados, preocupações com a potencial chegada da radiação a Tóquio, mas vive-se. Haja esperança.

Piolho Sintético às 11:32 | link do post | comentar
Quinta-feira, 17.03.11

Jennifer Lopez vs Britney Spears vs Rihanna


Jennifer Lopez Vs Britney Spears Vs Rihanna - Against The Floor (Robin Skouteris Mix)

Não tenho outra maneira de pôr isto: gosto imenso desta merda. Chamem-me brega, piroso, ponham uma providência cautelar para me manter a milhas de vocês, o que quiserem. Mas não contem a ninguém que eu gosto desta mashup. Se contarem, eu nego. Isto e Lady Gaga.

Quarta-feira, 16.03.11

Gralha bonita

No primeiro esboço do que num frio dia do Inverno de 2010 há-de ser a minha tese de doutoramento, a páginas tantas, em vez de “both”, estava escrito “bith”.

Piolho Sintético às 13:28 | link do post | comentar
Segunda-feira, 14.03.11

Manual de instruções para a questão n.º 32 dos Censos 2011...

...ou como nós, os informáticos, interpretamos tudo à letra. A título de exemplo disto, reza a anedota:

A wife asks her husband, a software engineer, “Could you please go shopping for me and buy one carton of milk, and if they have eggs, get 6!”

A short time later the husband comes back with 6 cartons of milk.

The wife asks him, “Why the hell did you buy 6 cartons of milk?”

He replied, “They had eggs.”

Posto isto, olhemos para a questão n.º 32 dos Censos 2011, ou melhor: para a justamente polémica explicação para trabalhadores a “recibos verdes”:

Se trabalha a “recibos verdes” mas tem um local de trabalho fixo dentro de uma empresa, subordinação hierárquica efectiva e um horário de trabalho definido deve assinalar a opção “Trabalhador por conta de outrem”.

Ora, formalmente falando, estamos perante uma conjunção lógica (“e”) com três operandos. O valor lógico da expressão é, como tal, verdade se e só se o valor lógico dos três operandos assim for. Basta então que uma das condições não se verifique para o inquirido não deva assinalar a opção “Trabalhador por conta de outrem”. Como dar, então, a volta a isto, cumprindo porém escrupulosamente as instruções que estão inscritas? Fácil - façam a vocês mesmos perguntas como:

  • Passam todo o dia sentados no mesmo sítio, ou levantam-se para tirar fotocópias, buscar clipes e agrafos, ou reunir com o restante pessoal numa outra sala? Estas coisas também são trabalho, portanto o vosso local de trabalho dentro da empresa não é fixo.
  • Passam mais tempo no Facebook do que a efectivamente trabalhar? Então chamar “local de trabalho” ao sítio fixo dentro da empresa onde estão todo o dia de cu sentado é um bocado exagerado. Além do mais, se o vosso “patrão” sabe disto e não faz nada em relação ao assunto, não vejo onde está a efectividade da subordinação hierárquica.
  • Ligam, pelo menos, dois dias e meio por cada mês de trabalho aos vossos cônjuges a dizer “Não contes comigo para jantar porque não sei a que horas saio.”? Era uma vez o horário de trabalho definido...

Mais formas haverá de dar a volta à questão, de forma a que um trabalhador a ‘falsos “recibos verdes”’ possa, tão legitimamente quanto as instruções que acompanham a pergunta permitem, dizer que está n’“Outra situação”. Sejam criativos nos comentários !

música: Arcade Fire - Suburban War
Piolho Sintético às 17:54 | link do post | comentar
Domingo, 13.03.11

Aflitivo

(adj.) Receber um postal através do Postcrossing, postal esse vindo... do Japão. De Tóquio, mais precisamente. Foi enviado há duas semanas e meia, chegou há dias. E uma pessoa fica a pensar como estará a pessoa neste momento... Registei o postal hoje, e pedi para a pessoa me enviar uma mensagem quando lesse. *Glup*...

Piolho Sintético às 21:54 | link do post | comentar | ver comentários (2)
Sexta-feira, 04.03.11

Olha olha, o gajo foi à Fundação!

 

 

Piolho Sintético às 08:29 | link do post | comentar

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