A cor do horto gráfico
Um dia destes envolvi-me, acesa e fervosoramente, numa discussão no Facebook por causa duma notícia que continha a palavra “pírcingue” no título. Claro está que, quais comentadores do Público a culpar o Sócrates por tudo desde o défice ate à peste negra, aparecem logo os críticos gratuitos de vão de escada a dizer que isto é culpa “das brasileirices do Acordo Ortográfico”. Argumentei com o facto de que este tipo de transliterações se vê noutras línguas que não têm uma ex-colónia para servir de bode expiatório (vejam-se os gairaigo do japonês), e no português foram oficialmente admitidos num dicionário editado pela Academia de Ciências de Lisboa em 2001 (e que muita polémica deu, por causa dos "fáxes" e dos "brífingues" e do "ateliê").
Já escrevi sobre o assunto por aqui, mas repito: não sou a favor do Acordo Ortográfico, mas isso não faz com que tenha de concordar com argumentos néscios contra o mesmo. Neste tipo de discussões, consigo refutar facilmente, com factos:
- os argumentos falaciosos de que vamos passar a falar e/ou escrever como os brasileiros;
- as alegações de gente com menos de 90 anos que diz que não quer deixar de escrever na língua de Pessoa;
- as alegações de gente com menos de 500 anos que diz que não quer deixar de escrever na língua de Camões;
- a tradicional laracha ignorante do "facto"/"fato", ou;
- a atribuição de culpa de todo e qualquer fenómeno linguístico ao Acordo Ortográfico e/ou aos brasileiros.
Mas o que fazer contra um argumento como "TEM HAVER COM O NOVO ACORDO ORTOGRAFICO" (sic)? Eu até fazia um "Like" mas acho que o sarcasmo era capaz de não atingir o indivíduo.

