Sexta-feira, 28.01.11

Coisas que detesto, capítulo IV

(Um capítulo pequenino com coisas que me lembrei nos últimos dias. A série toda pode ser lida na tag coisas que detesto.)

Que digam que, em Portugal, “facto” vai passar a escrever-se “fato”, e que “indemnizar” passa a “indenizar”. Por muito que eu não tenha nenhuma obrigação oficial (profissional) de adoptar o novo acordo, e que do ponto de vista da escrita pessoal “’tou me pouco cagando”, isto irrita-me.

Que chamem “mestrado integrado” a um mestrado de 2 anos (pós-Bolonha). Que me liguem logo depois de me enviarem um email, começando por perguntar “se o li”, e acabando por, pouco a pouco, repetir ao telefone tudo o que disseram no mail.

Segunda-feira, 07.06.10

Anatomia financeira de um bilhete de concerto

Comprei hoje, online, bilhetes para a representação do “The Wall” (chamar-lhe concerto é redutor) por Roger Waters (Pavilhão Atlântico, dia 21 de Março de 2011). Há pouco lembrei-me de analisar o comprovativo de compra, e desconstruir a comissão de 6% que a Blueticket (responsável pela venda dos bilhetes) cobra pela compra online. Ora vejamos:

  1. Os bilhetes têm um preço (i)líquido (nunca sei qual é qual, elucidem-me) de X, ao qual acresce 5% de IVA
  2. Pedi para os bilhetes serem enviados por Correio Verde, pelo que me é cobrada a importância de €1,95 (isenta de IVA)
  3. A comissão de serviço que é cobrada é de 6% sobre o preço dos bilhetes incluindo os 5% de IVA
  4. À comissão de serviço acresce IVA de 20%

Resumindo: paga-se 20% de IVA numa comissão que incide sobre: (i) um valor que já tem, ele próprio, IVA, e (ii) o valor de um serviço prestado por terceiros, que já estamos a pagar pelo justo valor (€1,95).

O ministro Teixeira dos Santos deve dar um bacalhau todos os Natais a esta malta, só pode...

Piolho Sintético às 14:47 | link do post | comentar
Quarta-feira, 02.06.10

Postcrossing

Este Sábado, a Fugas (suplemento do Público) terá uma peça sobre Postcrossing. Este hobby para coleccionadores de postais ou simplesmente pessoas que gostam de comunicar com gente de todo o Mundo é, garanto-vos, viciante.

O princípio básico é este: inscrevem-se no site, pedem uma morada aleatória ao site, e enviam um postal para essa morada. Junto com a morada, é fornecido um número identificador do postal, que devem escrever no mesmo. Quando o postal lá chegar, o destinatário regista a chegada do mesmo, introduzindo o identificador do postal. A partir desse momento, estão elegíveis para responder um postal de qualquer parte do Mundo. No início podem ter 5 postais a viajar em simultâneo até ao destino, a partir daí têm de esperar que um deles chegue ao destino para poderem enviar mais; à medida que forem enviando mais postais, este limite vai aumentado aos poucos. Comecei há dois meses, e já estou num regime em que:

  1. tenho sempre 5 postais a viajar;
  2. assim que um é entregue, peço logo uma morada para enviar outro.

Com o tempo que os postais levam a chegar (desde 4 a 8 dias na Europa, até para cima de duas semanas para destinos como a Rússia ou a China — não incluindo nuvens de cinza vulcânica e coisas assim ;) ), a minha média vai em cerca de 7 postais por mês, pelo que não chega a ser um hobby caro. As tarifas actuais dos CTT são de 68 cêntimos para a Europa e 80 cêntimos para o resto do Mundo.

A parte que sabe mesmo mesmo bem, claro, é receber os postais. No vosso perfil, podem indicar as vossas preferẽncias em relação ao que gostariam de receber (tanto do lado da imagem, como no que toca ao que a pessoa vos escreve). Eu estou muito interessado em (re)aprender um pouquinho de cada língua, com particular interesse no meu enferrujado Alemão e no Finlandês que ando a querer aprender. Quanto ao Finlandês, já sei que "Aina ei voi onnistua, ei edes joka kerta!" quer dizer "Não podes ter sucesso sempre, nem sequer todos os dias!".

Já só me falta saber dizer "o gato está sobre a cadeira", "o rato está debaixo da mesa" e "o macaco está no galho", e já me posso aventurar em Helsínquia sem um guia de conversação. Ou então não.

Piolho Sintético às 21:34 | link do post | comentar | ver comentários (1)
Sábado, 10.04.10

Vá uma pessoa pregar numa freguesia destas

"Sinto-me enervado com a SPA [Sociedade Portuguesa de Autores]. Sempre que passa uma música minha lembro-me de que existe aquilo e de que não funciona bem. [...], um músico pensa que ter uma música a passar na televisão pode resultar em direitos de autor. Dizem-me que estão em período de contenção, que temos de ser compreensivos, mas quero saber quanto é que as pessoas que trabalham na SPA descontam e como é que eles têm dinheiro para fazer galas. Quero esses números. Sempre que ligo com esta conversa respondem-me com arrogância e fazem-me sentir um chato. Já com a GDA [Cooperativa de Gestão dos Direitos dos Artistas] é a mesma coisa, fui lá e disseram-me que não pagam porque na rádio ninguém paga direitos e não há dinheiro, mas cobram imenso aos bares e às lojas."

— Manel Cruz (Ornatos Violeta, Pluto, Foge Foge Bandido), em entrevista à TimeOut
Piolho Sintético às 11:49 | link do post | comentar
Terça-feira, 30.03.10

Café, design e teatro: a caminho d'A Gaiola das Loucas

Ontem foi dia de riscar mais um item da lista: ir ao teatro. Graças a um concurso do Metropolitano de Lisboa, ganhei dois bilhetes para ir no Domingo ver o musical A Gaiola das Loucas (adaptação por Filipe La Féria) ao Politeama, e lá fui eu mais a Cat (paradoxalmente, não de Metro mas de comboio).

Os bilhetes eram para um camarote cabaret de 2.ª ordem, o que significa que ficam no 2.º andar bem perto de um dos lados do palco. A proximidade do palco tem tanto de bom como de mau (sendo de lado e num sítio alto, o ângulo extremo faz com que se percam algumas zonas do palco), tendo como ligeira compensação o conforto (éramos só nós os dois e uma mesa com um candeeiro) e o luxo (duas taças de espumante).

O espectáculo, esse, foi simplesmente divinal. Por um lado, dado nunca ter ido ao teatro, fiquei assoberbado pela sensação de estar a ver um espectáculo a ser feito ali mesmo (ao contrário dos filmes no cinema, já empacotados e polidos para nosso consumo), e ver como tudo acontece (ainda por cima, em ângulo picado). Por outro lado, a adaptação está muito interessante (não é meramente uma tradução, é uma adaptação para a língua e cultura portuguesas, incluindo menções e homenagens aos notáveis do transformismo em Portugal) e as interpretações grandiosas.

Antes da peça, houve oportunidade para, em passeio pela Baixa, visitar as exposições patentes no MUDE (Museu do Design e da Moda) e descobrir uma coffee shop sobre a qual ainda não conseguimos descobrir muito mais além da soberba qualidade dos seus cool mocha e muffins: Brown's Coffee Shop. Por muito herético que isto possa parecer, há que dizê-lo: põe a Starbucks a um canto — mais do que ela já se põe ao enfiar-se em centros comerciais, enquanto esta Brown's reside na rua, em plena Baixa, na esquina da Rua da Vitória com a Rua dos Sapateiros.

Domingo, 31.01.10

Eu e o acordo ortográfico

Hoje, depois de ir tomando contacto com alguns trechos dos seus efeitos, pela primeira vez, li uma descrição concisa de alterações "impostas" pelo novo acordo ortográfico. Apesar de achar hediondas algumas das alterações e, principalmente, as incoerências facilmente detectáveis, não sou contra o acordo ortográfico, nem a favor. Para que conste mais ou menos publicamente, a minha posição (de um ponto de vista prático, ou seja, conquanto influencia a forma como escrevo e irei escrever no futuro) é:

'Tou me pouco cagando.

Vou continuar a escrever o mesmo Português que escrevo há cerca de duas décadas. Se durante todo este tempo tive de ler pontapés horríveis na gramática e na ortografia, os quais sempre se entendeu "não ficar bem" estar a corrigir (porque se passa por pedante, ou porque "o que importa é que se perceba", ou porque apontar o dedo a doutorados que escrevem que as notas "saiem" para a semana e perguntam se já "escreves-te" o relatório é capaz de cair mal), estamos quites. Vou continuar a escrever, correctamente, no Portuguẽs que aprendi. Lerei e compreenderei os textos que se me apresentarem nessa nova metamorfose do Português, da mesma forma que consigo ler um texto em Português mal escrito, ou em Catalão. Mas desculpem lá, vão ter de tolerar o meu Português arcaico.

Piolho Sintético às 14:36 | link do post | comentar
Terça-feira, 04.08.09

Como ser chulado à grande e à portuguesa

Em 2005, depois de ir a Paris, encontrei um livro que tinha saído em português na altura, que achei engraçado comprar para ler e comprovar estereótipos: "A Year in the Merde - Um Ano em França", de Stephen Clarke. O original tinha saído algures em 2004.

Por esta altura (2005), tinha já saído uma sequela, "Merde Actually", mas obviamente ainda não havia em edição portuguesa — já que tinha o primeiro em português, queria continuar. Saiu entretanto outra sequela, "Merde Happens".  E nada do "Merde Actually" em português.

Até este ano, 2009. Há uns meses, vi na FNAC a edição portuguesa acabadinha de publicar,  e claro, comprei (mesmo com o desconto de aderente, ainda ficou por €15). Ainda não li (pormenor mesquinho no meio desta saga), mas a Cat leu e diz que se recomenda.

Hoje (precisamente depois de conversa com a Cat sobre estes livros), lembrei-me da ideia peregrina (ou nem tanto, já lá chegamos) de me desprender do facto de ter os 2 primeiros livros em português, comprando os 3 no original em inglês. Vai de pesquisar no Book Depository, e eis que descubro duas coisas: que entretanto tinha saído um quarto livro ("Dial M for Merde"), e que cada um deles custava €7–€8 (com portes grátis). Pensei durante cerca de 37 segundos, adicionei todos de rajada ao carrinho de compras, e pumba: €30, portes incluídos. Comprei a colecção toda por praticamente o mesmo dinheiro que tinha dado pelas edições portuguesas dos dois primeiros livros, poupando assim dinheiro, e tempo. Tempo de espera pelas edições portuguesas, e tempo a ler as míticas notas de rodapé "N. da T." que me tentam explicar trocadilhos que se perdem na tradução.

Piolho Sintético às 21:45 | link do post | comentar
Quarta-feira, 06.05.09

Carlotas e Sebastiões

Agora está muito na moda dar nomes ultra-vintage (entenda-se, relacionados aos tempos da monarquia em Portugal) armados ao pingarelho aos petizes e raparigas da mesma idade. Basta ir a um centro comercial a um fim-de-semana, ou a uma exposição a um Domingo (porque é de borla), e é ver gente que não tem onde cair morta e chamar (tratando por você, claro) pelo seu Sebastião, Afonso, Dinis ou Martim (de preferência, com segundo nome Maria), ou pela sua Carlota — os quais normalmente evidenciam em público a falta de um bocadinho de educação para condizer minimamente com o suposto pedigree da sua graça.

Por este motivo, adoptei há pouco tempo o mote de me referir, de forma genérica, a esta geração de micro-monarcas como “as Carlotas” e “os Sebastiões”. Porquê estes? Porque são, desta categoria de nomes, os que mais oiço ultimamente, e que, numa curiosa contradição, são extremamente raros na nossa História. E com "raros", entenda-se também "aves-raras". Para quem esteja com ideias de dar estes hediondos nomes aos seus vindouros rebentos, vide esta resenha biográfica das únicas personagens históricas de relevo que os ostentaram, cortesia deste vosso escriba.

Carlota: espanhola bruta, feia e minorca. Casou com 10 anos com o filho de uma mãe maluca e do tio-avô (não admira que o irmão mais velho tenha morrido, e só mesmo por isso é que o gajo chegou a rei). Não era de confiança, prestando-se a vários planos maquiavélicos motivados pela sua sede de poder.

Sebastião: apesar da profecia de heterossexualidade, casamento e descendência feita à sua nascença, não mais viria a tocar em gaja alguma, e com 24 anos achou boa ideia ir para Marrocos andar à porrada com meninos maiores que ele sem antes se acautelar em produzir um não-espanhol de sua prole. Mais parvo, só quem ainda está à espera que ele volte.

Estão a ver aquelas molduras com escritos sobre os nomes? Estão a ver o que se habilitam a receber no aniversário da Carlota ou do Sebastião? ;)

Domingo, 19.04.09

O ar condicionado mata as pessoas

Nunca andei muito de autocarro em Lisboa, sempre me deu mais jeito o comboio e o metro. Hoje foi uma das raras vezes que o fiz: para ir ver a exposição “A Evolução de Darwin” na Gulbenkian, calhou mais a jeito ir no 746 da Carris. Além de nabices como comprar bilhete (para mais tarde me lembrar que tinha dinheiro no Lisboa Viva para usar o Zapping) e de usar, pela primeira vez, o sistema de informação por SMS (tendo o autocarro aparecido no segundo a seguir a enviar a SMS, pelo que gastei €0,30 para receber uma mensagem a dizer que tinha autocarro daí a 0, 16 e 32 minutos), pude observar maravilhas que não se vêem debaixo do chão.

É o caso dos graffitis (não dos artísticos, mas sim dos de pura destruição e poluição visual) na Estrada de Benfica. Além de sabedoria preciosíssima como "o ar condicionado mata as pessoas" e "Santana Lopes é nasseiquê", há que louvar o trabalho deste artista  do spray preto: escreveu a palavra "MERDA", por várias vezes, ao longo de praticamente toda a Estrada de Benfica — ainda são uns 2 ou 3 km. Num dos sítios, reparei eu, o artista aparenta não ter ficado contente com a sua própria obra: temos a palavra "MERDA" com um "X" por cima (consigo imaginar o artista a dizer: "eh pá, esta ficou uma merda!"), e logo por baixo de novo "MERDA"  (a obra final que contentou o seu criador).

É muita arte e filosofia para uma só viagem de autocarro. Vendo bem, acho que os bilhetes são baratos. ;)

Piolho Sintético às 22:29 | link do post | comentar
Terça-feira, 06.01.09

The Fratellis - Henrietta

Andava há que tempos a tentar descobrir a identidade duma música que oiço constantemente em anúncios da FOX. Hoje descobri: é “Henrietta”, dos The Fratellis. E descobri também que a minha busca à base da letra (lyrics) estava a ser dificultada pelo facto de a música que aparece nos anúncios ser, na realidade, uma montagem de dois segmentos da música. Aqui fica uma interpretação da música, ao vivo nesse programa que passo a vida a pensar para mim mesmo “porque não temos uma merda destas cá?” — o “Later... with Jools Holland”.

Piolho Sintético às 09:57 | link do post | comentar

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