Sexta-feira, 27.01.12

Troca de contexto

Depois de, entre ontem e hoje, ter vigiado dois exames e ter corrigido 90 quintos-de-exame e 60 meios-exames, eis que tenho o primeiro semestre às costas. Agora é abrandar uns dias porque não tarda aperta a preparação do segundo.

Piolho Sintético às 14:35 | link do post | comentar
Quinta-feira, 20.10.11

Mega-pirete

Eu sei que a greve, a revolta, e essas coisas todas, são um direito que nos assiste. Sei que o cinto está a apertar. Sei que muita gente acha que é preciso fazer como os gregos e partir tudo, e fazer greves de semanas. Sei também que muita dessa gente pseudo-revoltada faz parte dos <inserir quantidade inferior a 50% para servir como metáfora para o conjunto minoritário de pessoas que contribuiram para esta merda>. Uns compraram carro, casa no cu de Judas (porque morar na cidade é caro, ir e vir todos os dias de carro não), Bimby, plasma, Blu-Ray, iPhone, iPad, PlayStation, metade do IKEA, deram-lhes crédito para tudo isso para lá das possibilidades, e agora a bolha rebentou. Outros trabalham com uma parte do ordenado a vir "pela porta do cavalo", arrendam casa e fazem cambalacho com o senhorio para pagarem uma parte da renda por fora e candidatarem-se ao Porta 65, mentem à DGES para terem bolsa de acção social para pagar o traje e as bebedeiras, dispensam a factura na oficina para não pagarem o IVA, e põem todas as culpas nos políticos.

Pessoalmente, prefiro estar aqui, de consciência tranquila em como não vivo para lá das minhas possibilidades nem de esquemas. A trabalhar árdua e honestamente, a produzir papers e a ensinar a próxima geração de engenheiros, a constituir a massa crítica científica e tecnológica de Portugal. Prefiro estar a trabalhar, dentro das minhas competências, para poder ter razões para mandar para o caralho, com todas as letras, quem acha que Portugal é um país de segunda linha. Hoje foi aceite mais um paper de minha co-autoria, vou preparar os slides desse paper e os de um seminário que apresento para a semana, e mais logo dou aulas a uma turma particularmente trabalhadora de alunos do 2.º ano — e gosto de pensar que um dia assim é uma pequena parte de uma pequena parte de um mega-pirete àquela gente toda.

(Quanto aos destinatários do mega-pirete, não falo apenas da Merkel, da Moody's, e dos finlandeses. Falo também de quem passa a vida a mamar na generosidade base do nosso sistema de "estado social", e ainda nos esquemas que aproveitam a ingenuidade desse mesmo sistema para aumentar unilateralmente essa generosidade, e agora dizem que já deviam era ter ido "lá para fora".)

Terça-feira, 11.10.11

Nem era de esperar outra coisa

Alunos unidos contra parquímetros na Cidade Universitária

Os estudantes propõem «a criação de uma tarifa única de 1 euro/dia» ou a «criação de um selo estudante» que lhes garanta lugares de estacionamento.

E um valet, também não querem? A Cidade Universitária é muito bem servida de transportes — Metro, Carris, TST, e ainda CP a uma estação de metro (ou uns saudáveis 1500 metros a pé ou de bicicleta) de distância. Há parques pagos mais baratos ao dia do que a tarifa dos parquímetros — têm é de andar um nadinha, tipo 300 metros, não é exactamente deixar o carro à porta da sala de aula como se calhar queriam. A medida faz todo o sentido e só peca por tardia e modéstia — apenas vai tornar pagos os lugares legítimos, não vai acabar com a selvajaria de carros a ocupar a faixa de rodagem (ou então acontece como noutros sítios: desde que paguem, está tudo bem...).

 

Ide mas é trabalhar!

Sexta-feira, 30.09.11

A primeira teórica

Há cerca de 3 anos, a 22 de Setembro de 2008, escrevia aqui eu:

“note” para este “self” que quer um dia dar aulas

Falar perante um anfiteatro cheio (>150 pessoas) É intimidatório. Já posso dizer “been there, done that, got the t-shirt.” Pfui!

Na altura foi só falar um bocadinho na sessão de boas-vindas aos caloiros (sessão oficial, entenda-se, não era nada organizado pelo sindicato dos pinguins). Esta semana foi a sério. O regente da cadeira em que estou a dar 3 turmas práticas esteve fora e, além das turmas práticas dele, tive de dar também uma teórica. Eu cá acho que correu bem, mas ainda tive de mandar calar gente (emfin, 2.º ano da licenciatura.... à terceira adoptei a técnica de calar-me eu e ficar à espera que eles se topem). No fim ninguém tinha dúvidas, por isso, ou fui muito bom (e eles perceberam tudo) ou fui muito mau (e eles não perceberam sequer o suficiente para terem do que ter dúvidas).

Piolho Sintético às 18:52 | link do post | comentar | ver comentários (1)
Domingo, 15.05.11

BBB: Bênção, Bairro, Bed

Ontem o Bairro estava óptimo: composto sem estar a abarrotar, nada de figuras (muito) tristes, a noite estava amena, e a companhia era óptima. Pena que tinha em cima do lombo uma noite muito mal dormida (duas horas e meia) e algumas horas em pé a assistir à Bênção de Finalistas. Os quatro cafés tomados ao longo do dia não fazem milagres, e passadas duas horas e uma imperial, os presentes que me perdoassem, mas só queria era a minha caminha.

* - Quando digo figuras muito tristes falo de pancadaria e afins. As bebedeiras infantis já são ruído de fundo, e nisso Santos mete-me muito mais impressão (lá as bebedeiras são literalmente infantis).

Piolho Sintético às 14:37 | link do post | comentar
Terça-feira, 10.05.11

No shit, Sherlock?

Dado que a minha instituição mudou o banco com que tinha protocolo para emissão dos cartões de identificação, fui a um balcão da Caixa buscar o PIN do novo cartão para poder movimentar a minha conta aberta de fresco. Aproveitei, e como sou todo das novas tecnologias (por razões óbvias — mas não para todos), e depois de tratar do PIN perguntei à menina:

— Podia dizer-me como é com o homebanking?

Ora tendo eu mostrado à menina um cartão duma faculdade com Ciências no nome, para mais do curso de Informática, o que raio a levou a pensar que o que eu precisava era que ela me explicasse que com o homebanking posso, através da Internet, fazer consultas, pagamentos, transferências, e outras operações?!

Nota lateral: obrigado á equipa Blogs SAPO pelo destaque {#emotions_dlg.happy}!

Piolho Sintético às 11:48 | link do post | comentar | ver comentários (6)
Quarta-feira, 23.03.11

Da credibilidade dos protestos

Acampamento Universitário pela Acção Social – 24 de Março. “Traz a tua tenda!”, dizem eles.

Estou a par do problema que este protesto versa. Conheço as estatísticas de diminuição nos apoios concedidos, e de que a esmagadora maioria das bolsas (76% do universo de bolseiros) não chega para pagar uma propina máxima e comer sempre na cantina (cf. Deliberação do Senado da UL). Conheço de perto casos de extrema injustiça na atribuição de bolsas. Concordo com o manifesto do início ao fim.

Mas vejamos: eu não vivo da Acção Social, ganho uma bolsa de investigação minimamente jeitosa (cujo valor, ao contrário do custo de vida, não é actualizado desde 2002, mas ao menos também não foi diminuido), ainda não tenho uma renda para pagar, a entidade financiadora paga sempre a tempo e horas — e, no entanto, não tenho uma tenda, porra! Até podia ter, mas não seria coisa em que me ia lembrar de repente de gastar dinheiro. Como funciona então este tipo de raciocínio para quem, supostamente, está “supé' à rasca”, prestes a desistir da faculdade e viver da caridade alheia? A tenda mais barata que a Decathlon (que é, como todos nós sabemos, o patamar acima da loja dos chineses no que toca a produtos bons, bonitos e baratos) vende custa tanto quanto 11 almoços na cantina, e para lhe dar algum uso para além de acampar no relvado da Reitoria (porque é claro que quem está à rasca não se pode dar ao luxo de comprar uma tenda só para um dia) ainda tem de gastar-se algum dinheiro extra (aquele que, supostamente, não há).

Ao menos promoviam um acampamento com sacos-cama: são mais baratos, e como se passa mais frio sensibilizava melhor os destinatários da mensagem — que, para ajudar à festa, nem sequer é na Alameda da Universidade que se encontram, e sabe-se lá em que regime de funcionamento estarão depois do que se pode passar hoje no Parlamento...

Piolho Sintético às 13:14 | link do post | comentar | ver comentários (6)
Sexta-feira, 28.01.11

Coisas que detesto, capítulo IV

(Um capítulo pequenino com coisas que me lembrei nos últimos dias. A série toda pode ser lida na tag coisas que detesto.)

Que digam que, em Portugal, “facto” vai passar a escrever-se “fato”, e que “indemnizar” passa a “indenizar”. Por muito que eu não tenha nenhuma obrigação oficial (profissional) de adoptar o novo acordo, e que do ponto de vista da escrita pessoal “’tou me pouco cagando”, isto irrita-me.

Que chamem “mestrado integrado” a um mestrado de 2 anos (pós-Bolonha). Que me liguem logo depois de me enviarem um email, começando por perguntar “se o li”, e acabando por, pouco a pouco, repetir ao telefone tudo o que disseram no mail.

Terça-feira, 01.06.10

Coisas que detesto, capítulo II

(Um ano e tal depois do capítulo I)

Pessoas que insistem que se apanham constipações e gripes por se estar numa corrente de ar. Pessoas que insistem em pensar as suas despesas do dia-a-dia em escudos/contos. Vuvuzelas. Nokia Tune. O vício do ar condicionado. Carros mal estacionados. Falta de brio no trabalho. Gente que ao mínimo calor vai trabalhar de calções e chinelo de enfiar no dedo. A fila “só para funcionários” no bar (aberto ao público em geral) da Torre do Tombo. Pessoal que manda bitaites durante um jogo de Sueca. Pseudopatriotismo sazonal aliado à selecção nacional de futebol. Que não me dêem passagem nas passadeiras. Que se atravessem à frente do meu carro fora da passadeira. Cidades construídas a pensar no carro e só no carro. Que olhem para o meu monitor (independentemente do que eu estiver a fazer), e pior ainda se ainda se lembrarem de meter conversa relacionada com isso. Que metam conversa da treta quando estou a trabalhar com os meus auscultadores nada discretos enfiados na cabeça. A crescente dificuldade em enviar cartas/postais (marcos, sítios para comprar selos ou, vá que seja, uns autocolantes ranhosos). Exames de Época Especial para toda a gente.

Domingo, 31.01.10

Eu e o acordo ortográfico

Hoje, depois de ir tomando contacto com alguns trechos dos seus efeitos, pela primeira vez, li uma descrição concisa de alterações "impostas" pelo novo acordo ortográfico. Apesar de achar hediondas algumas das alterações e, principalmente, as incoerências facilmente detectáveis, não sou contra o acordo ortográfico, nem a favor. Para que conste mais ou menos publicamente, a minha posição (de um ponto de vista prático, ou seja, conquanto influencia a forma como escrevo e irei escrever no futuro) é:

'Tou me pouco cagando.

Vou continuar a escrever o mesmo Português que escrevo há cerca de duas décadas. Se durante todo este tempo tive de ler pontapés horríveis na gramática e na ortografia, os quais sempre se entendeu "não ficar bem" estar a corrigir (porque se passa por pedante, ou porque "o que importa é que se perceba", ou porque apontar o dedo a doutorados que escrevem que as notas "saiem" para a semana e perguntam se já "escreves-te" o relatório é capaz de cair mal), estamos quites. Vou continuar a escrever, correctamente, no Portuguẽs que aprendi. Lerei e compreenderei os textos que se me apresentarem nessa nova metamorfose do Português, da mesma forma que consigo ler um texto em Português mal escrito, ou em Catalão. Mas desculpem lá, vão ter de tolerar o meu Português arcaico.

Piolho Sintético às 14:36 | link do post | comentar

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