Troca de contexto
Depois de, entre ontem e hoje, ter vigiado dois exames e ter corrigido 90 quintos-de-exame e 60 meios-exames, eis que tenho o primeiro semestre às costas. Agora é abrandar uns dias porque não tarda aperta a preparação do segundo.
Depois de, entre ontem e hoje, ter vigiado dois exames e ter corrigido 90 quintos-de-exame e 60 meios-exames, eis que tenho o primeiro semestre às costas. Agora é abrandar uns dias porque não tarda aperta a preparação do segundo.
Há cerca de 3 anos, a 22 de Setembro de 2008, escrevia aqui eu:
“note” para este “self” que quer um dia dar aulasFalar perante um anfiteatro cheio (>150 pessoas) É intimidatório. Já posso dizer “been there, done that, got the t-shirt.” Pfui!
Na altura foi só falar um bocadinho na sessão de boas-vindas aos caloiros (sessão oficial, entenda-se, não era nada organizado pelo sindicato dos pinguins). Esta semana foi a sério. O regente da cadeira em que estou a dar 3 turmas práticas esteve fora e, além das turmas práticas dele, tive de dar também uma teórica. Eu cá acho que correu bem, mas ainda tive de mandar calar gente (emfin, 2.º ano da licenciatura.... à terceira adoptei a técnica de calar-me eu e ficar à espera que eles se topem). No fim ninguém tinha dúvidas, por isso, ou fui muito bom (e eles perceberam tudo) ou fui muito mau (e eles não perceberam sequer o suficiente para terem do que ter dúvidas).
No meu tempo de aluno de licenciatura, só se via malta a jogar Sueca na esplanada da faculdade. É bom ver que os tempos mudam: ...
... já se joga Crapaud, também.
Hoje de manhã, antes de vir para a faculdade, lembrei-me de passar na Reitoria, para ver se o meu diploma de licenciatura (pedido em Julho de 2007) estaria pronto. Depois de a senhora fotocopiar o meu BI e ir ver se estava pronto, lá me veio dizer que “não estava pronto, mas estava quase” — faltam os acabamentos: a fitinha e a caixa.
Trouxe com ela o diploma (o papel), e pediu-me então para verificar se estava tudo correcto. No meio daquele Latim todo, lá distingui o meu nome, o do meu pai, e o da minha mãe (felizmente, não traduzidos para Latim); portanto, a menos que, em latim, lá diga que eu tenho a 4.ª classe, o meu pai foi guarda-costas do Ramalho Eanes, e a minha mãe assaltou 5 dependências do BNU nos anos 90, então está tudo bem.
Distingui ainda, no fim, uma data (em Latim e por extenso, claro, e se calhar nem é por acaso): Fevereiro de 2008. Ora se eu acabei a licenciatura e pedi o diploma em Julho de 2007, aquela data só pode ser da emissão daquele diploma. Sendo que (deixei este detalhe para o fim) a senhora me dizer que o diploma (com os acabamentos) estará pronto “lá para Fevereiro”, resta-me fazer as contas e constatar:
Claramente, a adopção do motto "Ad lucem" ("para a luz") não tem nada a ver com o factor “velocidade”...
Falar perante um anfiteatro cheio (>150 pessoas) É intimidatório. Já posso dizer "been there, done that, got the t-shirt." Pfui!
Já só falta um exame. Dos outros três, um já tem nota e tudo (fiquei com 19 à cadeira), e os outros estou à espera (e a contar não ficar satisfeito com a nota - não me correram tão bem assim - e ir à 2.ª data melhorar).
O exame que falta é duma coisa secante e que, na minha opinião, foi mal dada: Estrutura e Gestão das Organizações. Não sei o que era suposto aprender, porque não aprendi nada. O semestre foi preenchido entre aulas de despejo de matéria auxiliadas por slides cheios de texto inútil, palestras cujo relacionamento com o tema da cadeira é bastante ténue, e um trabalho também algo vácuo de enquadramento. Era uma cadeira que pedia tão mais estímulo ao interesse, à participação, ao debate, e foi tão dada à-la licenciatura: numa clara luta de titãs entre um professor a debitar matéria e o efeito (insuficientemente) estimulante da cafeína.
Dada a falta de Norte que eu padeço (eu e os restantes inscritos na cadeira, diga-se de passagem), a minha pilha de leitura é actualmente constituída (não contando com a porra dos slides das aulas) por (não muito) belos livros como:
Fica mais uns tempos a meio o Restaurante at the End of the Universe do Douglas Adams, e vou ter de esperar também um tempinho até poder começar o A Wild Sheep Chase, do Haruki Murakami (tão docilmente oferecido por esse ser humano exemplar que é a minha namorada).
Finalmente: o fim das aulas (já foi 6.ª feira, mas o fim-de-semana foi preenchido
). Estado das coisas (cadeiras):
Entretanto, para descomprimir, Sábado foi dia de almoçarada num sítio com o belo nome de ARRANHÓ e, à tarde, ir beber uma cervejinha e comer uns caracóis à feira de artesanato que havia em Sobral de Monte Agraço.
Domingo, jantar e saída por honra do 25.º aniversário da minha irmã (eu e a Cat somos os máiores no Tribal Biscuit
).
Last but not least, de Domingo para Segunda (hoje) foi altura de dormir e fazer ronha na melhor companhia do mundo... ![]()
Há quem conte os dias até ao fim das aulas, até ao fim dos exames, etc.
Eu já me dou por contente em contar os dias — ou melhor, as tarefas — até poder começar a estudar para os ditos exames: já que entre os fim das aulas e o primeiro exame só tenho 1 semana, convém começar o quanto antes.
E a contagem decrescente é:
*sigh* Haja música, e a minha querida Cat para, mesmo sem se aperceber, me fazer acreditar — porque afinal de contas, ela tornou e torna possíveis coisas à partida bem mais difíceis do que sobreviver ao período pré-epoca de exames.
Se eu vos disser que os ficheiros dos resultados experimentais de um trabalho que estou a fazer para uma cadeira (e que, como tal, terei de entregar para avaliação) contêm coisas como:
HAL
(mouthing the words)
Hey, fuck you.
vocês acreditam? E também acreditam se disser que a palavra fuck e seus derivados, no total dos resultados dos 3 filmes analisados, aparecem cerca de 200 vezes?
Começa a ser frequente querer partilhar estas pérolas ouvidas de passagem num sítio onde passo tanto tempo (a faculdade, claro), por isso, com esta 2.ª calinada, considero inaugurada uma nova secção neste blog: Overheard in Campo Grande (sim, eu tenho uma vaga noção de que devia ser “at Campo Grande”, mas se há pessoas que dizem as barbaridades que eu aqui vou mostrando, eu também tenho o direito de ajavardar uma preposição para manter a pun ao original
).
E a pérola para hoje é, nem mais nem menos que uma senhora que não teve qualquer pudor em fazer o seguinte pedido ao funcionário de um dos bares da faculdade às 7h30 da manhã:
Ó sr Joaquim, meta-me já no pacote.
I rest my case, OK?