Quarta-feira, 22.02.12

Irritações vocabulárias (II)

Já tinha abordado isto com apenas com uma palavra, mas o problema é maior. São palavras cuja razão de serem usadas está para lá da minha compreensão. São elas:

  • seios
  • esposa
  • falecer
  • invisual
  • possuo (como em “Possuo muitos livros que ainda não tive tempo para ler.”)
  • existem (como em “Existem dias em que não me apetece mesmo sair da cama.”)
  • desejo (como em “Desejo um copo de água.”)
Aprendamos então:
  • mamas
  • mulher
  • morrer
  • cego
  • tenho
  • quero
Será que que as pessoas se sentem mais inteligentes por usarem palavras mais compridas e/ou arcaicas?
Piolho Sintético às 11:52 | link do post | comentar
Sexta-feira, 27.01.12

echo "bimby" | sed s/y/os/

Acho um piadão a pessoas que vão a casa dos pais deixar roupa para lavar/passar, ou buscar comida feita quando não lhes apetece ligar a Bimby, e se autointitulam “independentes”.

 

(Se usar uma Bimby é cozinhar, então puxar o autoclismo é fazer limpezas.)

Piolho Sintético às 19:59 | link do post | comentar | ver comentários (1)
Terça-feira, 03.01.12

iPhone

Com as crescentes promoções para (embora não seja usada essa palavra) comprar smartphones a crédito, os iPhones estão a começar a obedecer à metáfora que o meu pai usava, há 10 anos atrás, para os telemóveis em geral. Assim sendo, nos dias de hoje, os iPhones são como os pares de colhões: qualquer caralho tem um. Já perdi a conta à quantidade de pessoas com ar de obrais, de donas de casa e de pobretanas em geral que vejo (principalmente no metro) de iPhone...

(E se acham que estou a ser preconceituoso: no outro dia numa loja tinha à minha frente um homem de bigode, fato de treino e sapatos cujo iPhone tocou, e o toque era o cão dele a ladrar.)

Quinta-feira, 20.10.11

Mega-pirete

Eu sei que a greve, a revolta, e essas coisas todas, são um direito que nos assiste. Sei que o cinto está a apertar. Sei que muita gente acha que é preciso fazer como os gregos e partir tudo, e fazer greves de semanas. Sei também que muita dessa gente pseudo-revoltada faz parte dos <inserir quantidade inferior a 50% para servir como metáfora para o conjunto minoritário de pessoas que contribuiram para esta merda>. Uns compraram carro, casa no cu de Judas (porque morar na cidade é caro, ir e vir todos os dias de carro não), Bimby, plasma, Blu-Ray, iPhone, iPad, PlayStation, metade do IKEA, deram-lhes crédito para tudo isso para lá das possibilidades, e agora a bolha rebentou. Outros trabalham com uma parte do ordenado a vir "pela porta do cavalo", arrendam casa e fazem cambalacho com o senhorio para pagarem uma parte da renda por fora e candidatarem-se ao Porta 65, mentem à DGES para terem bolsa de acção social para pagar o traje e as bebedeiras, dispensam a factura na oficina para não pagarem o IVA, e põem todas as culpas nos políticos.

Pessoalmente, prefiro estar aqui, de consciência tranquila em como não vivo para lá das minhas possibilidades nem de esquemas. A trabalhar árdua e honestamente, a produzir papers e a ensinar a próxima geração de engenheiros, a constituir a massa crítica científica e tecnológica de Portugal. Prefiro estar a trabalhar, dentro das minhas competências, para poder ter razões para mandar para o caralho, com todas as letras, quem acha que Portugal é um país de segunda linha. Hoje foi aceite mais um paper de minha co-autoria, vou preparar os slides desse paper e os de um seminário que apresento para a semana, e mais logo dou aulas a uma turma particularmente trabalhadora de alunos do 2.º ano — e gosto de pensar que um dia assim é uma pequena parte de uma pequena parte de um mega-pirete àquela gente toda.

(Quanto aos destinatários do mega-pirete, não falo apenas da Merkel, da Moody's, e dos finlandeses. Falo também de quem passa a vida a mamar na generosidade base do nosso sistema de "estado social", e ainda nos esquemas que aproveitam a ingenuidade desse mesmo sistema para aumentar unilateralmente essa generosidade, e agora dizem que já deviam era ter ido "lá para fora".)

Terça-feira, 20.09.11

8.5×5.5 cm

Será que os habitantes desta “casa” (no sentido laboral da coisa) perdem as chaves da própria casa com a mesma frequência com que perdem o cartão que abre as portas das salas aqui do work? Tudo bem que as consequências não são bem as mesmas (se a pessoa comunicar o que aconteceu, é só reprogramar as fechaduras para não aceitarem aquele cartão), mas é preciso um sentido de responsabilidade assim tão grande para não perder aquela merdinha de 8.5×5.5 cm?

Quarta-feira, 31.08.11

Desprevenidos

Estou pela faculdade. Fui ali comer qualquer coisa e beber um café, e vi várias pessoas desprevenidas com a chuva. Sem chapéu, alguns à espera de uma aberta debaixo de alguma cobertura, alguns até de calções e chinelos. Pena deles, em directo de debaixo do meu chapéu de chuva: zero. Não é preciso um curso superior para uma pessoa andar informada e ver a previsão do tempo, que ainda não se paga. Desde o fim-de-semana que sei que hoje e amanhã era capaz de chover.

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Piolho Sintético às 19:45 | link do post | comentar | ver comentários (2)
Quarta-feira, 24.08.11

Das alianças

Parece que está muito na moda usar alianças grossíssimas, tipo isto ou isto. Tenho as visto quer em pessoas que conheço que namoram ou que casaram recentemente. Para este tipo de aliança, só tenho uma palavra de seis letrinhas:

CHUNGA

Pronto, é tudo.

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Piolho Sintético às 16:59 | link do post | comentar | ver comentários (1)
Quarta-feira, 17.08.11

Busy

Tira de hoje de Doghouse Diaries

Muita, mas mesmo muita, gente pensa assim. Eu não. O chat está ao lado do email, que uso para o trabalho, por isso o argumento “Se estás no Gmail não estás muito ocupado” cai por terra. Também me podem dizer “Ah, podes desligar o chat”, porque se esquecem que também o posso usar para coisas importantes como trocar impressões de trabalho, ou perguntar ao colega duas salas ao lado se vem almoçar agora — o que é diferente de estar disponível para palheta “então, tudo bem? essa vidinha? muito trabalho?”. Por isso, o meu estado de busy no chat do Gmail é já há uns meses complementado por um link para a entrada no The Free Dictionary que explica o significado da palavra “busy”. Agora se resulta, ...

Piolho Sintético às 11:02 | link do post | comentar
Sexta-feira, 01.07.11

Mafu

O how-to of the day no wikiHow (esse site maravilhoso onde aprendi, em emergências passadas, a coser um botão numa camisa, a cozer um ovo, e a fazer um nó de gravata Windsor) é “How to Know if You Are in a Parasitic Relationship”. That reminds me of something... Não precisei de ler isto para perceber como as coisas deviam ser vistas e feitas. Curiosamente, tudo bate certo — até a história de fazer listas. E ainda hoje percebo que há muito boa gente que não compreende que <metáfora>quem mata um mosquito por estar farto de ser mordido</metáfora> não é o mau da fita. Aliás, não tem de haver maus da fita: há pessoas que (bem ou mal) agem e pessoas que (bem ou mal) não agem.

Piolho Sintético às 19:05 | link do post | comentar
Domingo, 29.05.11

Banco Alimentar contra a fome

Neste país há fome. [...] Não é suposto virar-se a cara e fazer de conta que não se vê.

Made in Lisbon

Ao lado de minha casa, mesmo ao lado, porta com porta, há um Pingo Doce. Quando há campanhas do Banco Alimentar, dou lá sempre um saco, chego a ir de propósito só para isso. Ontem nem sabia que havia recolha, fui lá comprar umas coisas e, assim que percebi que havia recolha, fui direitinho buscar um saco vazio. Não dei muito, desta vez: uma lata de salsichas, uma lata de atum, e um pacote de massa. Mas ao menos dei. Fico com a consciência tranquila de que, com 1 euro e meio (que não me deixou gravosamente mais pobre), posso ter dado de jantar a 3 ou 4 pessoas necessitadas. Custava assim tanto muito mais gente fazer o mesmo? 1,50€ não chega a meio maço de tabaço, porra! Tal como a Maria, passei por privações, mas não passei fome. Não passei porque, no meio das privações, houve quem passasse fome para que eu não passasse. O pior que me aconteceu foi comer iscas quase todos os dias, magistralmente confeccionadas de formas diferentes para parecer que era um prato diferente. Não passei fome, mas vi-a passar, e isso não se esquece.

Adiante.

O donativo que referi foi depois do almoço. Ao fim da tarde tive de lá voltar porque me tinha esquecido de comprar algo. Fui abordado pelos voluntários do Banco Alimentar, mas prontamente lhes dei as boas tardes e disse que já tinha ali ido anteriormente e tinha feito o meu donativo. Quando estava na fila para a caixa, pus-me a reparar nas pessoas que entravam, e passavam pelos voluntários, e é incrível a esmagadora maioria de pessoas que baixa ligeiramente o pescoço e passa a direito, sem dizer ai nem ui, e deixando os voluntários a “falar para a mão” (nem para a mão é, é mesmo para o ar). Ninguém é obrigado a dar, não contrario isto. Mas ver tanta gente enterrar a cabeça na areia perante tudo isto dói. Como dizia o meu pai, “a boca que diz ‘sim’, diz ‘não’ ”. E di-lo tão melhor quanto bem alimentada esteja: que nunca lhes falte.

Edit: Wow, não imaginava que este post ia dar esta explosão de visitas e comentários. Obrigado ao SAPO por ter destacado proeminentemente este post na sua página inicial.

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