Quarta-feira, 22.02.12

Irritações vocabulárias (II)

Já tinha abordado isto com apenas com uma palavra, mas o problema é maior. São palavras cuja razão de serem usadas está para lá da minha compreensão. São elas:

  • seios
  • esposa
  • falecer
  • invisual
  • possuo (como em “Possuo muitos livros que ainda não tive tempo para ler.”)
  • existem (como em “Existem dias em que não me apetece mesmo sair da cama.”)
  • desejo (como em “Desejo um copo de água.”)
Aprendamos então:
  • mamas
  • mulher
  • morrer
  • cego
  • tenho
  • quero
Será que que as pessoas se sentem mais inteligentes por usarem palavras mais compridas e/ou arcaicas?
Piolho Sintético às 11:52 | link do post | comentar
Quinta-feira, 15.12.11

Superlativo absoluto sintético

A quem escreve e a quem irá escrever sobre o anúncio da Triumph: é “macérrimo”. Pronto, era só isto. E eu também gosto de curvas, by the way.
Piolho Sintético às 13:46 | link do post | comentar | ver comentários (2)
Quinta-feira, 03.11.11

Caro grupo de trabalho para reformulação da rede de transportes da Área Metropolitana de Lisboa:

(Este grupo)

Lisboa não acaba no Campo Grande.
(Embora para os lados da linha azul já pareçam saber que Lisboa não acaba no Colégio Militar, que era onde costumava haver outro encurtamento de serviço fora da hora de ponta.)

 

Entre fases da maravilhosa "Rede 7", supressões silenciosas, e esta proposta maravilhosa, só falta ao Lumiar e à Ameixoeira serem oferecidos ao município de Odivelas...

 

Se estão dispostos a medidas tão idiotas como a redução da velocidade de circulação das composições fora das horas de ponta, que tal pensarem em coisas inteligentes estilo: em vez de fecharem troços inteiros a partir das 21h30, fecham estações intermédias, no centro de Lisboa (estações mais próximas, mais carreiras da Carris) a partir dessas horas (ou similares)? Eu ajudo-vos:

  • Parque (está entre duas estações de correspondência - o Marquês e São Sebastião).
  • Picoas (está entre duas estações de correspondência - o Marquês e o Saldanha). Sim, os funcionários mais tardios do vosso amigo Zeinal têm de subir a Fontes, uuuuh!
  • Alto dos Moinhos ou Laranjeiras (só uma; até podia ser a das Laranjeiras, mas como estão a querer matar uma carreira que faz a Estrada da Luz toda não sei).
  • Vá, se fizerem muita questão, a Cidade Universitária a partir das 22h00.
Depois até podem fazer uma coisa gira, que é: acederem, perante contrapartida, a que as estações fiquem abertas até mais tarde quando há algum evento (Parque para a Feira do Livro, por exemplo). Duplo dinheiro em caixa! Poupam no dia-a-dia, e, em dias especiais, ganham dinheiro para fazer o que sempre fizeram de borla, que é ter o Metro a funcionar!
Outra coisa que se calhar não repararam: vejam aqui o mapa geográfico (e não esquemático) da rede do Metro. Não estão a ver? Então eu digo-vos: as estações de Metro da Cidade Universitária e das Laranjeiras são estupidamente próximas. No entanto, para ir de um para a outra, tem de se ir dar uma grande volta... excepto se se apanhar a carreira 764 (com a qual querem acabar)! Além disso, é, por princípio, estúpido reduzir a oferta de transportes públicos a uma cidade universitária, para além do mais uma cidade universitária recentemente alvo de (correctas e necessárias) medidas de disuasão de uso do transporte particular.
Gostava de saber onde decorreram as reuniões destes cavalheiros e como para lá se deslocaram...
Quarta-feira, 02.11.11

Da chuva (pergunta pertinente)

Mais uma vez, uma manhã de chuva mais forte e Lisboa transforma-se em Veneza. Pergunta: quantos (mais) meses de Verão depois das férias é que são precisos para desentupir os sistemas de escoamento?!

Piolho Sintético às 15:12 | link do post | comentar | ver comentários (1)
Quinta-feira, 20.10.11

Mega-pirete

Eu sei que a greve, a revolta, e essas coisas todas, são um direito que nos assiste. Sei que o cinto está a apertar. Sei que muita gente acha que é preciso fazer como os gregos e partir tudo, e fazer greves de semanas. Sei também que muita dessa gente pseudo-revoltada faz parte dos <inserir quantidade inferior a 50% para servir como metáfora para o conjunto minoritário de pessoas que contribuiram para esta merda>. Uns compraram carro, casa no cu de Judas (porque morar na cidade é caro, ir e vir todos os dias de carro não), Bimby, plasma, Blu-Ray, iPhone, iPad, PlayStation, metade do IKEA, deram-lhes crédito para tudo isso para lá das possibilidades, e agora a bolha rebentou. Outros trabalham com uma parte do ordenado a vir "pela porta do cavalo", arrendam casa e fazem cambalacho com o senhorio para pagarem uma parte da renda por fora e candidatarem-se ao Porta 65, mentem à DGES para terem bolsa de acção social para pagar o traje e as bebedeiras, dispensam a factura na oficina para não pagarem o IVA, e põem todas as culpas nos políticos.

Pessoalmente, prefiro estar aqui, de consciência tranquila em como não vivo para lá das minhas possibilidades nem de esquemas. A trabalhar árdua e honestamente, a produzir papers e a ensinar a próxima geração de engenheiros, a constituir a massa crítica científica e tecnológica de Portugal. Prefiro estar a trabalhar, dentro das minhas competências, para poder ter razões para mandar para o caralho, com todas as letras, quem acha que Portugal é um país de segunda linha. Hoje foi aceite mais um paper de minha co-autoria, vou preparar os slides desse paper e os de um seminário que apresento para a semana, e mais logo dou aulas a uma turma particularmente trabalhadora de alunos do 2.º ano — e gosto de pensar que um dia assim é uma pequena parte de uma pequena parte de um mega-pirete àquela gente toda.

(Quanto aos destinatários do mega-pirete, não falo apenas da Merkel, da Moody's, e dos finlandeses. Falo também de quem passa a vida a mamar na generosidade base do nosso sistema de "estado social", e ainda nos esquemas que aproveitam a ingenuidade desse mesmo sistema para aumentar unilateralmente essa generosidade, e agora dizem que já deviam era ter ido "lá para fora".)

Segunda-feira, 19.09.11

Legítima defesa. um novo estilo de vida

O Sócrates, o Teixeira dos Santos e o seu deputado Maximiano [Martins, candidato do PS à presidência do governo], que fez esta pouca vergonha toda à Madeira, tinham uma lei em que o Governo da República podia aplicar sanções sobre o governo regional, se o governo regional continuasse com obras a fazer dívida, porque eles não nos tinham dado o dinheiro e não nos autorizavam a fazer dívida. (...) Foi por isso que não era aconselhável, porque eles ainda nos tiravam mais dinheiro (...).

— Alberto João Jardim diz que omitiu 1113 milhões em "legítima defesa" da Madeira

Querido diário,

Descobri este fim-de-semana um novo estilo de vida que pretendo explorar em mais pormenor: a legítima defesa à moda da Madeira. Consiste em fazer todas as prevaricações possíveis que se possam justificar com “legítima defesa” contra a força da lei e/ou contra o curso normal das coisas. Exemplos:

  • fazer uns biscates mas não dizer a ninguém, em “legítima defesa“ contra ser retirado o subsídio de desemprego;
  • não deixar os filhos trabalharem, para não perder o rendimento social de inserção;
  • vender uns cafés e umas refeições sem passar factura em “legítima defesa” contra a cobrança de IVA.

Eu sei que nem o modus operandi nem o descaramento são novos. Mas quando o exemplo vem de cima é outra coisa.

Piolho Sintético às 14:18 | link do post | comentar
Quinta-feira, 08.09.11
Domingo, 21.08.11

São caminhos complicados de ir por.

Se os puristas embirram com a prática de acabar frases em inglês com preposições, então haviam de ver o aborto que fica fazê-lo em português. Descobri mesmo há pouco que há quem o faça e não é bonito, nada mesmo. Ao pé de frases como "são caminhos complicador de ir por" ou "são situações impensáveis de lidar com", o acordo ortográfico parece uma mera vírgula fora do sítio.

Piolho Sintético às 21:54 | link do post | comentar
Quinta-feira, 04.08.11

Bon Jovi Open Air

No Domingo lá estive, com bilhetes comprados em Novembro, vinte minutos antes do início oficial do respectivo período de venda.

O concerto foi brutal, o Jon é bom todos os dias — não obstante eu ser heterossexual praticante, este "bom" não se refere apenas à música, há que dar crédito onde ele é devido ;-)!

Outros créditos que têm de ser dados: ao Metropolitano de Lisboa. Forneceram um serviço prolongado (último comboio às 1h15) e reforçado (7 em 7 minutos), e se demorámos um tempão a entrar para a estação da Bela Vista foi por uma simples razão: porque o Homo sapiens portucalensis é um bicho que simplesmente não pensa.

Acabando de descer as escadas, o que encontrámos não foi um cenário de multidão em filas para os torniquetes (como seria esperável à saída de um evento com mais de 50 mil espectadores — menos tinha a Bênção em Maio e era o cenário), mas sim filas para as máquinas para comprar bilhete, com os torniquetes às moscas! Porra, mas nem com os preços a subirem brutalmente à meia-noite (de dia 31 para dia 1) a malta pensa que "se calhar até não é má ideia comprar o bilhete de volta logo à ida"?! Claro está que, no meu grupo, nós tínhamos todos bilhete ou passe, foi só entrar num metro cheio como se fossem cinco da tarde, e seguir viagem. A opção de deixar o carro no Saldanha foi, portanto, acertadíssima!

Sexta-feira, 29.07.11

A cor do horto gráfico

Um dia destes envolvi-me, acesa e fervosoramente, numa discussão no Facebook por causa duma notícia que continha a palavra “pírcingue” no título. Claro está que, quais comentadores do Público a culpar o Sócrates por tudo desde o défice ate à peste negra, aparecem logo os críticos gratuitos de vão de escada a dizer que isto é culpa “das brasileirices do Acordo Ortográfico”. Argumentei com o facto de que este tipo de transliterações se vê noutras línguas que não têm uma ex-colónia para servir de bode expiatório (vejam-se os gairaigo do japonês), e no português foram oficialmente admitidos num dicionário editado pela Academia de Ciências de Lisboa em 2001 (e que muita polémica deu, por causa dos "fáxes" e dos "brífingues" e do "ateliê").

Já escrevi sobre o assunto por aqui, mas repito: não sou a favor do Acordo Ortográfico, mas isso não faz com que tenha de concordar com argumentos néscios contra o mesmo. Neste tipo de discussões, consigo refutar facilmente, com factos:

  • os argumentos falaciosos de que vamos passar a falar e/ou escrever como os brasileiros;
  • as alegações de gente com menos de 90 anos que diz que não quer deixar de escrever na língua de Pessoa;
  • as alegações de gente com menos de 500 anos que diz que não quer deixar de escrever na língua de Camões;
  • a tradicional laracha ignorante do "facto"/"fato", ou;
  • a atribuição de culpa de todo e qualquer fenómeno linguístico ao Acordo Ortográfico e/ou aos brasileiros.

Mas o que fazer contra um argumento como "TEM HAVER COM O NOVO ACORDO ORTOGRAFICO" (sic)? Eu até fazia um "Like" mas acho que o sarcasmo era capaz de não atingir o indivíduo.

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